Quando o Papa João XXIII pré-anunciou
o 2º Concílio do Vaticano, em Janeiro de 1959, surpreendeu tudo e todos, por
não ser claro qual o seu propósito; quando muito, havia um pano de fundo, a Pastoral, em particular
no respeitante às relações: a relação
sacramental da Igreja a Deus – Lumens Gentium
-, a relação com o mundo moderno – Gaudium
et spes -, com as outras comunidades eclesiásticas – Unitatis redingratio -, com as outras crenças – Nostra aetate -, e a relação com o
outro, em particular ao nível da liberdade religiosa – Dignitatis humanae.
Todavia, podemos especular que urgia realizar uma reflexão, não tanto
teológica ou dogmática, mas sobretudo práxica,
em particular atendendo às enormes mudanças e cataclismos surtidos no século
XX, das ciências sociais às físicas, da política à economia, da sociedade à
individualidade, da Ilustração aos mentores
da suspeita - tudo estava a mudar, e muito depressa, o homem aprestava-se a
pôr o pé na lua e a Igreja Católica Romana e Apostólica sentia que, a qualquer
momento, os seus alicerces seriam abalados.
Tal, de algum modo, acabou por se
verificar: ateísmo, deísmo, fundamentalismo, secularização, laicização, gnosticismo
ou sectarismo são facetas de um movimento que, em meados do século XX,
conheceram imparável ascensão e, a compor o ramalhete, o aproveitamento
político da fé pelas ditaduras emergentes afetaram definitivamente a imagem e a
reputação da Igreja e, por inerência, da própria religião.
A reflexão – que só terminou na
4ª sessão, em 65 – acabou por dar os seus frutos, na consciência de que o mundo
tinha mudado e de que a Igreja – cuja força residiu, em grande parte, ao longo
dos séculos, na sua estabilidade e resistência à mudança – tinha de saber
realizar uma leitura contextualizada da marcha do povo de Deus. Uma nova
pastoral, uma nova história, uma nova realidade, um novo espírito e uma nova cultura.
Mas a fundamentação teológica não
foi fácil porque, precisamente, a vertente mais tradicional – de raiz
escolástica, tomista e doutrinal – opunha-se à vertente renovadora, encabeçada
por reformistas como Rahner, Schillebeeck ou Lubac.Ver a realidade como um lugar teológico, o tempo como um horizonte
de sentido e a relação com o mundo – GeS – como uma dinâmica permanentemente
interpeladora, levou a uma reflexão teológica onde a práxis da igreja para com o seu
povo se renovou e se colocou num
novo horizonte.
Se essa resposta – bem vistas as coisas, uma faceta comum aos
concílios, o seu caráter reativo – está à altura da volatilidade do mundo
contemporâneo, eis uma questão em aberto, e que só Deus e o futuro revelarão.
Ora aqui está uma análise sintética e esclarecedora do que foi o Vaticano II!
ResponderEliminarConcordo com a Célia, resposta esclarecedora para o porquê do Concílio do Vaticano II.
ResponderEliminarObrigado meninas pelo comentário
ResponderEliminar"eis uma questão em aberto, e que só Deus e o futuro revelarão." - Gosto da conclusão!
ResponderEliminarFaçamos por isso!